Psicologia Financeira

"Se você não consegue controlar suas emoções, você não consegue controlar seu dinheiro"

Nosso estado de espírito pode afetar nossas decisões financeiras mais do que você acredita. As escolhas das pessoas nem sempre tem lugar de maneira racional e a economia não é uma exceção. O que é a psicologia financeira e, sobretudo, o que podemos fazer para utilizar nossas finanças de maneira assertiva sem nos tornarmos o pior inimigo de nossa economia.

Como as emoções afetam nossas decisões de investimento e finanças pessoais?

Nossas emoções agem em nosso organismo gerando estímulos positivos ou negativos, que nos impulsionarão para incrementar ou diminuir nossa capacidade de assumir riscos. Emoções tais como confiança, medo ou alegria são decisivas na tomada de decisões de investimento. Por outro lado, nossos padrões de pensamento são construídos sobre a base de um conjunto de crenças, conhecimentos e experiências. Portanto, nosso comportamento sempre será o resultado da união do pensamento e da emoção. Este ramo sugere estratégias para tomar melhores decisões em nossas finanças pessoais e é por isso que apresentamos algumas recomendações para evitar nos tornarmos nosso inimigo financeiro:

  • Gerenciar nossas emoções: ao fazê-lo, evitamos o descontrole que pode nos levar a tomar más decisões financeiras ou mesmo à perda de dinheiro.
  • Não ter excesso de confiança: é uma recomendação importante na hora de investir, pois se isto não for considerado, podemos acabar obtendo rendimentos menores aos esperados.
  • Focar no que pode chegar: mesmo tendo experimentado alguma perda, é melhor deixar ir e colocar nosso foco em algo novo e promissor.
  • Evitar fazer a mesma coisa uma e outra vez esperando ter um resultado diferente: é essencial, na hora de investir, procurar especialistas e receber assessoramento. Revisar a situação e fazer algo que realmente represente uma mudança.
  • Aceitar e deixar ir: é importante lembrar que os pensamentos e as emoções estão presentes em nosso dia a dia. Podemos deixar que fluam, mas sendo assertivos. É muito provável que, ao longo de nossas vidas, enfrentemos más decisões financeiras. É preciso aceitá-las e seguir em frente tomando novas decisões. Embora possamos ter a priori medo, se aceitarmos conselhos profissionais conseguiremos tomar decisões mais informadas.

Como o cérebro toma decisões financeiras?

O mundo está em permanente mudança e evolução, isso é inquestionável. Em virtude disso, tendemos a acreditar que atualmente a vida se dá em um contexto altamente planejável e, portanto, bastante diferente dos homens primitivos que nos precederam. Ocorre, porém, que as ciências já comprovaram que seres humanos são fortemente condicionados pelas emoções e padrões de comportamento instintivos carregados geneticamente.Isso significa que alguns instintos básicos de sobrevivência acabam prevalecendo no comportamento humano quando exposto a circunstâncias que, de acordo com a perspectiva, sejam consideradas “extremas”.


Vieses comportamentais, finanças e investimentos

Trata-se de um mecanismo extremamente útil nas situações cotidianas, contudo, bastante problemático se acionado em circunstâncias onde decisões intuitivas não deveriam prevalecer sobre análises consistentes e fundamentadas. A psicologia financeira estuda os vieses visando compreender quais os mecanismos, supostamente de defesa, acionamos emocionalmente na tomada de certas decisões financeiras que, na realidade, deveriam ser tomadas a partir de análises mais lentas, elaboradas e repletas de racionalizações.

Como os vieses influenciam as decisões financeiras?

Quando usamos atalhos mentais para tomar decisões de investimento, isso muitas vezes nos leva a escolhas baseadas em critérios pouco ortodoxos, pautadas muito mais por percepções e sentimentos do que por lógica. Atualmente, existem mais de 180 vieses catalogados pelas ciências comportamentais, o que demonstra o quanto podemos estar vulneráveis a escolhas ruins, caso não haja atenção e autoconhecimento suficientes para evitar que o automatismo ocupe espaço em momentos errados.

Como usar a psicologia financeira a seu favor

Os significativos avanços nos estudos de psicologia financeira propiciam acesso a um ótimo ferramental para o autoconhecimento que, se bem utilizado, irá permitir que você tenha uma relação saudável com o uso do dinheiro.

  • atento à autoconfiança excessiva na escolha de investimentos;
  • controle emocional para não agir com a manada, perdendo o foco em momentos de tensão nos mercados;
  • romper com a tendência de manter-se na zona de conforto que o leva a fazer as coisas sempre da mesma forma, sem ponderar que o cenário talvez exija condutas novas para obter novos resultados;
  • não se deixar seduzir pelas recompensas imediatas em detrimento de outras maiores e de longo prazo.